Entender as necessidades que surgem quando ficamos mais velhos e, a partir dessa compreensão, estabelecer uma ponte entre gerações: esse é o grande papel da exposição Diálogo com o Tempo. Ela aborda, de forma lúdica, as perspectivas do mundo sob o olhar do amadurecimento e aponta caminhos para o envelhecimento saudável.

O objetivo da exposição é minimizar o conflito de gerações

Créditos: Reprodução/Diálogo com o Tempo/Bert Bostelmann

O objetivo da exposição é minimizar o conflito de gerações

Em cartaz na Unibes Cultural, o evento oferece atividades lúdicas e interativas aos visitantes, guiadas por quem mais entende do assunto em questão – pessoas com idades entre 70 e 90 anos. São elas que monitoram o passeio do público pelos diversos ambientes da exposição; 15 guias foram selecionados entre 150 candidatos.

A aventura começa com a exibição de um vídeo de quatro minutos que mostra o envelhecimento de uma mulher. Em seguida, o próprio guia que acompanha determinado grupo – são 15 integrantes por turma – se apresenta e propõe um jogo chamado Envelhecimento Feliz.

O propósito, aqui, é desconstruir estigmas, incitar a plateia a se lembrar de que pessoas mais velhas não precisam seguir padrões de comportamento esperados para elas. "As narrativas não ficam distantes, pois quem está ali falando viveu e vive tudo aquilo", afirma Bruno Assami, diretor-executivo da Unibes Cultural.

E que tal os mais jovens experimentarem, fisicamente, algumas limitações impostas em fases mais avançadas da vida? É o que propõe a Sala Amarela, em que estações simulam condições enfrentadas na velhice.

Créditos: Reprodução/Diálogo com o Tempo/Uwe Dettmar

O desafio é sentir na pele o caminhar do tempo

Os visitantes, assim, são desafiados a subir escadas com pesos atados ao corpo; decifrar uma mensagem de voz cujo volume oscila; manusear um controle remoto usando luvas; abrir uma porta com as mãos trêmulas. A cor predominante no ambiente, o amarelo, refere-se à pigmentação da retina nas idades mais avançadas.

Mas, a despeito dos obstáculos, o intuito é acenar com mensagens de compaixão e esperança. Por isso, na Sala Rosa, há três instalações de vídeo nas quais três pessoas idosas contam suas histórias de vida – e como desfrutar dela independentemente do número de anos que se contam no aniversário.

A experiência do passeio inclui até uma metáfora da aposentadoria. Em determinado momento, 3 entre os 15 visitantes são convidados a ficar apartados das atividades, como se estivessem aposentados. Depois, são reintegrados ao grupo.

Créditos: Reprodução/Diálogo com o Tempo/Bert Bostelmann

O propósito da mostra é a interação geracional

"A exposição é totalmente interativa e promove muito a empatia", diz Assami. "O jovem precisa entender que a agenda do envelhecimento não é do seu avô, pai ou tio, mas se refere a uma jornada que ele próprio quer construir através de sua vida. Vai além das estatísticas, trata de estar efetivamente comprometido em pensar coletivamente esse tema."

A mostra também inclui apresentações divertidas de dados demográficos sobre o envelhecimento das populações e dicas para que esse processo se dê de uma forma saudável, tanto individual como socialmente.

É a primeira vez que Diálogo com o Tempo, depois de passar por Alemanha, Suíça, Finlândia, Israel, Singapura e Taiwan, entra em cartaz na América Latina.

Serviço
Diálogo com o Tempo
Quando: de 17 de abril a 13 de outubro de 2018; de terça-feira a sábado, das 10h30 às 12h e das 14h às 17h30
Onde: Unibes Cultural; r. Oscar Feire, 2.500, ao lado da estação de metrô Sumaré, em São Paulo; informações: 11-3065-4333
Classificação indicativa: a partir dos seis anos
Ingressos: R$ 30; R$ 15 (meia)

Leia também: Fotógrafa revela a beleza da nudez de casal setentão

Por QSocial