Quando algum artista de menos de 60 anos submete seus trabalhos à apreciação de Marlena Vaccaro, que dirige a galeria Carter Burden, no distrito de Chelsea, em Londres, a resposta dela é simples. “A boa notícia é: você não tem 60”, diz. “E a má notícia é: você não tem 60.” Essa é a idade mínima, no caso, para poder expor no espaço.

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A galeria conta com artistas de até 95 anos em seu 'cast'

Marlena sabe bem, por experiência própria – ela foi pintora –, que, depois dos 40 anos, artistas que não atingiram um patamar lucrativo de vendas passam a ser negados pelas galerias tradicionais.

Na Carter Burden, ela procura dar espaço a dois tipos de perfil. O primeiro é o dos que ganharam destaque em determinado período no passado e que não mantiveram o status.

No caso, ela precisa convencê-los de que suas obras não serão mais comercializadas por valores similares aos do passado. “Não adianta falarem que saíram no 'The New York Times' em 1965”, afirma. “Isso não conta mais.”

Há também os que nunca conseguiram se sobressair nas exposições, mas têm um trabalho de qualidade. Pela idade, dificilmente conseguem mostrá-lo em outras galerias, mas Marlena Vaccaro lhes abre portas.

Os preços das obras na Carter variam entre US$ 425 e US$ 9.000; na média, ficam em US$ 3.000. Os artistas têm entre 60 e 95 anos. A galeria conta com estudantes universitários que os ajudam a divulgar os trabalhos em redes sociais como o Instagram.

O espaço comandado por Marlene é um braço da Carter Burden Network, rede de serviços voltados para os mais velhos que tem quatro centros que servem refeições para esse público, além de programas para pessoas em estágios intermediários de demência.

Por QSocial