“Retrato do artista quando jovem”, obra de James Joyce, é um bom exemplo de como a arte é um instrumento potente para a análise das diversas fases da vida. É uma forma, também, de lidar com dificuldades do próprio corpo. Um pintor americano relacionou essas duas virtudes da criação ao produzir autorretratos que mostram como ele se via ao enfrentar a evolução de um quadro de Alzheimer.

Autorretrato feito por William em 1998, quando o artista já sofria de Alzheimer

Créditos: Reprodução/William Utermohlen

Autorretrato feito por William em 1998, quando o artista já sofria de Alzheimer

Nascido na Filadélfia, Estado da Pensilvânia, EUA, em 1933, William Utermohlen descobriu que estava com a doença em 1995.

Ao longo dos anos seguintes, Utermohlen, que morreu em 2007, pintou e desenhou a própria imagem em um exercício de autoanálise de sua condição de saúde.

Autorretrato de 1996; o artista descobriu que tinha Alzheimer um ano antes

Créditos: Reprodução/William Utermohlen

Autorretrato de 1996; o artista descobriu que tinha Alzheimer um ano antes

Autorretrato com serrote, 1997

Créditos: Reprodução/William Utermohlen

Autorretrato com serrote, 1997

Ao mesmo tempo, as figuras produzidas pelo pintor com Alzheimer refletem as limitações físicas e emocionais impostas pela doença. Entre 2000 e 2002, o artista fez seus últimos desenhos, a lápis.

Segundo Patricia Redmond, historiadora de arte com quem William foi casado, a série de autorretratos é um auxílio no entendimento dos aspectos psicológicos que mais profundamente afetam os pacientes com Alzheimer. Entre eles, medo, tristeza e alterações na percepção de si mesmo.

O pintor com Alzheimer no estúdio, em 1996

Créditos: Reprodução/William Utermohlen

O pintor com Alzheimer no estúdio, em 1996

O enfermeiro de Utermohlen, Ron Isaacs, costumava fotografar cada autorretrato produzido como forma de acompanhamento do quadro clínico do pintor.

Créditos: Reprodução/William Utermohlen

Autorretrato feito a lápis em 2000

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Por QSocial